quarta-feira, 5 de maio de 2010

FIQUE (eu ficarei, sempre!)

José Victor

O coração baterá até o fôlego acabar
Você sabe que a amo, e me coloca nisso
Algo está indo mal comigo
Viver não é difícil, mas também não é fácil
Sempre mantendo os cães fora.

Caia como a chuva, caia como a chuva
Venha e caia como a chuva, venha e caia
Oh! Eu queria estar aí, ao seu lado
Porque isso é como a morte, garota
Deixe-me ficar por perto, deixe-me ficar por perto.

Você toma meu coração, e meu fôlego se vai
Você sabe que a amo, e me coloca nisso
Sinto-me um pouco tonto, e você sabe o porquê
Acreditando que não é difícil, mas que também não é fácil
Mantendo-me cego para o óbvio

Caia como a chuva, caia como a chuva
Venha e caia como a chuva, venha e caia
Oh! Eu queria estar aí, ao seu lado
Porque isso é como a morte, garota
Deixe-me ficar por perto, deixe-me ficar por perto.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

A Lua pintou o céu azul cobalto
com a sua metade
e espero que essa seja a mais longa noite de toda a eternidade
para não chegar o amanhã.

Não quero rezas, nem flores
Nem véus de noiva e flor de laranjeira.
quero fugir em meio as bananeiras do quintal
esconder-me  no nicho criado sob suas folhas secas.

Se eu puder
quero voar no parapente a motor
que passa, levado pelo vento
no final de todas as tardes

Não quero ouvir sua voz,
quero tapar meus ouvidos e meus olhos
Não quero ver o azul do céu
Nem o sol.
Fugir apenas - este é meu destino para o amanhã.

Quero ficar com o corpo morto
e meus sentidos amanhecidos
sonhando comigo e com você
Neste balão gigante!


terça-feira, 27 de abril de 2010

Pipas e Papagaios

Não me deixe te esquecer!
As mexericas já estão maduras
Deixando os seus suaves sumos pelos ares
e quando vê
já é outra estação.



O céu azul de Abril
o vento fresco levando folhas
e as pipas correndo céus
com suas formas multicores.



Nunca aprendi fazer pipa:
É coisa de moleque, gritava o Brasa.
Mas fazia papagaios de rabos longos,
Maranhão, aquele sem rabo e com franjas!



Nas manhãs de céu limpo e vento
bem cedo eu preparava o carretel
subia o quintal de cima de casa
e lá ficava horas
viajando junto com as cores do infinito.



Amor devia ser assim,
coisa que a gente puxa pela linha,
distrai um pouco,
dá soquinho no carretel
pra ver a pipa dar cabeçada
e voltas longas no ar
até retomar o caminho
e trazê-lo de volta,
intacto.
Para o José Victor

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Evanescence

Enlevo, de Flora Figueiredo

Eu olho você grande e distante
E da sua grandeza me comovo
E da sua distancia me revolto
Olho de novo.
Procuro reter em minhas mãos sua figura
Mas ela gesticula, oscila e cresce
E numa inconstância distraída
No instante exato
Por trás da vida desaparece.
Um desacato.
Do meu desaponto eu me levanto
Pra levar embora outro desencanto
Mas você me divisa e então me chama

Aguarda, reclama e me convida
E minha vida nessa ansiedade por fim entrego.
E nesse amor feito de espuma colorida
Nós flutuamos: você borbulha, eu escorrego,
Ensaboados, você explode, eu me desintegro.
(Para o José victor, lá em fortaleza...)