O que você ama define o que você é...
Sou uma mulher de muitos amores... Amo os Ipês, mas amo também caminhar sozinha. Muitas pessoas levam seus cães a passear. Eu levo meus olhos a passear. E como eles gostam!!!!
Neste dia molengo de Abril, quase final o calor fora de época vem trazendo lembranças de tempos que eu sofria por ser dia de Tiradentes.
Mal sabíamos que a história é equívoco dos mais exaltados, do lado de quem ganha uma guerra ou perde injustiçado.
Assim,como todas as histórias são frutos de boa criação, de livros e filmes que assitimos, em vão para calar a dor do que não somos.
E aprendemos que moças finas são as de pele branca, cabelos ralos, magras que sabem fazer bordados e as receitas da avó sequilhos brancos com suave sabor de limão.
E o dia vai seguindo, seco, uma ventania de folhas vem nesse meio do dia fazer nossas mães correrem fechando as janelas para não desfazer o trabalho do dia anterior.
Afinal, hoje é feriado. Dia de ficar assim, pelo canto, escutando assuntos do primo que se foi, do avó, dos amores que não foram.
E uma folha grande e seca vai arrastando grosseiramente seu som riscado e estridente pela rua recordando que passamos mais uma estação no sol amarelado, descorado pelas nuvens e pelo aguardar solitário das mensagens que nunca chegam.
(escrita dia 21/04/2010, num começo de tarde enjoada, faltante...)
Hoje dei uma aula especial... especialíssima pra dizer a verdade. Falando de amor e relacionamentos.... O texto do Flávio Gikovate, o Amor é fogo do Camões... Daí a conversa virou outra, sexualidade para constatar a idade dos deuses e virou também larica (que aprendi com você o significado), maconha, cocaína...
Triste constatação, meus alunos conhecem muito mais as drogas do que imaginava e pude ver também que há um comércio meio disfarçado na sala, nas idas ao banheiro, nos encontros no intervalo, nos aviõezinhos esquálidos... Falei sobre minhas experiências com eles e de meus amigos que foram levados por elas. Falei de você meu, caro amigo José Victor, que muitos já te conhecem pelo meu blog. Invasão à sua privacidade? Sinto muito! Mas é por uma boa razão... A conversa foi surgindo, as tristezas sendo contadas, e os amigos mortos enumerados, um a um, somamos 12 que as drogas levaram... Todos “na flor da idade”- que me permitam aqui usar um lugar-comum – na idade dos deuses, aquela em que eles podem tudo e têm a juventude todinha a seu favor, a saúde, a alegria de viver que aos poucos foi se tornando melancolia... Não sei por que me tornei assim?... pergunta tardia... Em minha cabeça, sonhei com Axel Rose em seu November Rain e com a nova canção pra mim, Bed of Roses, deixando meus cabelos voarem com o vento dentro de um carro em alta velocidade, sentindo emoções necessárias para qualquer garoto de 15... Por que isso não basta? Foi a minha pergunta a eles? ... sei lá, só para experimentar, viajar, sentir fora do corpo, ter experiências... Foram as respostas e, coladinhas a elas, um garoto branco, meio pálido, corpo malhado, jeito maneiro, esperto: “é o jeito dona da gente fazer a vida...” E o pior é que alguns caem nessa para curtir a juventude, por mais uma experiência,para curtir uma música um ídolo, por companhia necessária, para se ver dentro de um grupo, ser aceito ou por revolta, para se sentir longe de suas mazelas diárias, para fugir do desamor... E o papo foi nascendo cuidadoso e as palavras foram vindo uma-a-uma, reveladoras... Não esperava tanto. Nem esperava o ar sem graça de quem antes estava astuto, sobejando virulência, marotice, malandragem... Nesses olhos eu vi lágrimas escondidas, até que o rosto se dobra sobre os braços e sozinha, ela escuta minhas últimas palavras. O sinal deu para que eu fosse embora e me virei para a mais falante, Gabriele, que tinha confessado tudo diante da sala que usara drogas todas as sextas e já fazia uns meses que não tocava nelas...eu lhe respondi que se a encontrasse “daquele jeito”, ia lhe dar uma coça bem ardida, como mãe ignorante cuida de filho, mas que às vezes é necessária uma boa sova! Saímos, entre todos os outros colegas, fui observando as faces brincalhonas, as outras suspeitas, as trocas de carinho e a Gabriele me dizendo que nunca, jamais faria isso de novo, por minha causa... “Por causa da Senhora, dona, nunca mais uso drogas na vida!” peguei as suas mãos, dei-lhe um beijo carinhoso e me senti rainha, salvadora... No caminho de volta à casa, soube qual era a minha função – era o de estar ali, naquele momento e em muitos outros que surgirão!