terça-feira, 21 de agosto de 2007

A Lua e a Santa

SuicideKiss.com - Deadly pictures, gothic horror, sick layouts
A lua chegou entristecida
Sob nuvens esparsas na noite quase fria
Os ares do verão não fizeram quebrar essa tristeza.
Entristecidas de pensar,
Cada janela, cada porta, cada poste da cidade
Aquietava-se por entre as vielas tortas e suas
Ruas íngremes das casas ancestrais.
De longe vê-se o rosa antigo daquele casarão
E perdido dentro de suas janelas
A virgem que teimava chegar a elas todos os dias.
Esperava aquele que nunca veio.
Nas procissões da Semana da Paixão
As velas clareavam as faces, os véus,
os vestidos pousados nos corpos
com perfeição tão suprema que extasiava Maria
e Maria esquecia o porquê de estar ali.
Maria via a procissão passar
Cantava as dores de Nossa Senhora
E esperava, esperava o dia de sábado como um aleluia!
O Domingo, o mais pagão de todos os dias!
Maria alegrava-se como a ressurreição de Cristo!
Cristo! Quando ele vem?
E esperava, esperava...
Os outros meses que se seguiam
Outras festas, outras lamúrias,
Páginas do calendário santo se iam com as horas medidas a fio.
Só ele não veio.
E de Maria se souber apenas que morrera virgem, santa e só.

E hoje, quando olho a cidade aqui do alto
E a Lua entristecida,
Vejo os casarões,
As muralhas,
As pedras dos caminhos que receberam boi, cavalo, Ford Bigode,
Jardineiras, e carros velozes
Penso que Maria sou eu!
Pura, santa e esperançosa.
Pobre Maria...
Pobre de mim.



Guaxupé, 12 de Janeiro de 2006.
Quinta-feira, Lua Crescente, meio frio, pouco calor...

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Pena que a música não é a do Jeff...





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domingo, 19 de agosto de 2007

A foto no poema é de uma amiga muito querida, a Melissa!


Estranho Poema

Cotovelos pousados sobre a mesinha
As mãos encolhidas em desalento
Uma no rosto apoiada,
Outra desce a tinta sobre o papel.


Há uma urgência de me expor
Mas as chagas fizeram-se tão fundas
Que estou mudo.


Relembro, então, uma cena de infância.
O dia seco, quente, nublado,
Na vitrola, um disco de Sinatra.
Eu avistava da varanda
O negror das nuvens sobre a Catedral.


Não era chuva.
Não era medo.
Hoje sei que era tristeza.
Nasci assim,
Triste.


De onde arranquei esse ar solitário,
Essa incomodação de mulher todos os meses?
Queria ser diferente, diversa.
Olho as outras.
Parecem tão felizes!
Realizadas.


Hoje pintei as unhas de vermelho framboesa.
Sangro assim desde que nasci!

Sem Título!



O azul cerúleo tinge meus olhos
com a fremência da criação.
O jovem vê a Lua e sonha
Dorme na música do instante.


A ansiedade arde o peito,
recolhe os ombros,
intumesce as mãos.
Sobre a nuca,
o peso da eterna criação.


Puxo o ar retesado no alto dos pulmões.
Pergunto-me por quê?
Noutras épocas não era assim.
A saúde fresca das hortaliças, dos frutos todos
nas maçãs do meu rosto.

Ainda vejo na paisagem
a mesma juventude,
a alegria.


Mudei minhas roupas?
O que fluíra, represou?
Tento vendar o que não quero ver?


Abro as janelas com a impaciência.
Afasto as cortinas como um temor.
E o sol vem dourar meus braços,
meu corpo sobre a cama,
minhas manhãs roubadas da inexperiência de viver.





Este aí tá fresquinho...escrevi agora: 00:10, 19/0/07

Agosto

A fumaça das queimadas precipita sobre a cidade
O ar frio da noite que entra.
O vento bate, arranha meu rosto
Ranhura de galhos secos.
Gosto de espinho na boca.
As flores explodem pelos caminhos,
erraram a época para enfeitar meus olhos
- amarelas, brancas, lilases, carmim.

O caminho é o êxtase completo.
A Lua vaga coroa minha cabeça
brincando de rodopiar.
Abro meus braços num abraço
acaricio o vento, a paisagem.

Aquele planeta que finge de estrela me chama
e, no meu peito, a urgência da criação,
feito ardência,
ansiedade,

feito choque.

Nos segundos,
A noite termina sua entrada
A alegria do encontro entre sol e escuridão se foi
Na minha impaciência
a vinda das próximas horas,
a madrugada,

a fome,
o bocejo de todas as manhãs.