sábado, 5 de julho de 2008

Só se for... Quem mesmo?

“Pois ser humano, com toda a miséria e grandeza que isso significa, não é apenas desejar consolo e esperança, mas também abrir os olhos e enxergar além disso, sem perder a alegria.
Lya Luft – O Silêncio dos Amantes.”

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Breve



Cansada de viver
Num êxtase
Estico os braços


Espalmo os céus.
O ar que me falta
Corre de ti
Inconciso.

A cadeira
(o único) apoio para as minhas loucuras
de mirar o céu
e me envolver entre as nuvens
circunspecta.

Breve.
As árvores, os troncos
Sobem o ar afora.
a única maneira
- não pensar.

O cheiro etílico do hospital
Me recorda:
A vida é breve
?

Como me falta o ar
Respiro a vida,
O tempo pouco,
A esperança parca

Não sei se viver é isso
Vivo
In

... a caminho do céu! 2


Varrendo o quintal
E o que sobeja da água fresca.

O cheiro resinado do lodo,
Os cacos secos dos líquens caídos das árvores.
É inverno e o céu azul por essas bandas
Ecoa espaços de faz-de-conta.

A mente flui.
Vai buscar pensamento longe
No amontoado de nuvens brancas.

Ao lado da página,
A cachorra brinca com o verme que saí do cimento quente.
Cutuca, raspa as unhas, geme.

Olho para o azul do céu,
Respiro o ar guardado do lado do jardim,
Ar fresco, profundo, quente.
E o pensamento busca longe...

quinta-feira, 3 de julho de 2008

... a caminho do céu!


POEMA COMEÇADO NO FIM

Um corpo quer outro corpo.
Uma alma quer outra alma e seu corpo.
Este excesso de realidade me confunde.
Jonathan falando:
parece que estou num filme.
Se eu lhe dissesse você é estúpido
ele diria sou mesmo.
Se ele dissesse vamos comigo ao inferno passear
eu iria.
As casas baixas, as pessoas pobres,
e o sol da tarde,
imaginai o que era o sol da tarde
sobre a nossa fragilidade.
Vinha com Jonathan
pela rua mais torta da cidade.
O Caminho do Céu.
Adélia Prado

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Acho que vou, sim!!!!


Bilhete da Ousada Donzela


Jonathan, há nazistas desconfiados.
Põe aquela sua camisa que eu detesto
- comprada no Bazar Marrocos -
e venha como se fosse pra consertar meu chuveiro.
Aproveita na terça que meu pai vai com minha mãe
visitar tia Quita no Lajeado.
Se mudarem de idéia, mando novo bilhete.
Venha sem guarda-chuva
- mesmo se estiver chovendo -
Não agüento mais tio Emílio que sabe e finge não saber
que te namoro escondido e vive te pondo apelidos.
O que você disse outro dia na festa dos pecuaristas
até hoje soa igual música tocando no meu ouvido:
"Não paro de pensar em você."
Eu também, Natinho, nem um minuto.
Na terça, às duas da tarde,
hora em que se o mundo acabar eu nem vejo.
Com aflição,
Antônia.


Adélia Prado