segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Longe amor

O amor sorrateiro bate a porta.
Não se despede.
Voa apressado pra terras longínquas
De céu cor-de-rosa.

No caminho,
bebe água limpa de fontes
sombreadas pela vegetação.
Colore paisagens,
fluindo nuances gazeadas no horizonte.

Não socorre o sofrimento nascido.
Não olha para trás.
Não baterá à porta do arrependimento.
Brota como água do chão
procurando morada,
Acomoda novamente o corpo
nos percalços do caminho.

domingo, 13 de janeiro de 2008

A Lorene e seu AMOR lá longe...

Matisse
Há um som de abrir uma janela.
Viro indiferente a cabeça para a esquerda
Por sobre o ombro que a sente,
Olho pela janela entreaberta:
A rapariga do segundo andar de defronte
Debruça-se com os olhos azuis à procura de alguém.
De quem?,
Pergunta a minha indiferença.
E tudo isso é sono.
Meu Deus, tanto sono!...
in O sono Que Desce Sobre Mim. Fernando Pessoa

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Presente pra quem mora longe...


Caixinha de música

Numa caixinha
Colocarei uma flor de Ipê amarelo
Uma folha caída com o vento
Uma semente de jatobá
Uma xícara de café torrado no fogão de lenha
Sequilhos de polvilho
Um pão de queijo
As luzes da minha cidade quando começam a se acender
Os caminhos por onde suspiro minhas saudades
E um abraço apertado.
Fecharei cuidadosamente
E enviarei pelo correio
Para você me abrir nesta canção...

domingo, 6 de janeiro de 2008

Minha alma encarcerada e sem evolução...


....que dialeticamente evoluiu desse sentimento.

No sábado antes da véspera do Ano Novo, fui buscar um aparelho eletrodoméstico imprescincível para os cabelos daquelas que aspiram a fios orientais...rs!

: um mísero secador que nos deixa loucas na sua ausência. Talvez até mais do que a triste ausência do ser mais amado....

Mas o que digo é uma troça apenas!
Eu quero dizer é a que um dia iluminado de sol nos remete.
O lugar em que fui buscar meu secador de cabelos é na Rua Aparecida. Uma rua muito antiga da minha cidade, que os anos não estão sabendo conservar. Casas ancestrais, de arquitetura do início do século XX são substituídas diariamente por imensos caixotes de cimento armado - porque na minha cidade resolveram derrubar aquilo que é arte e substituirem por caixotes horríveis de cimento, com janelas baratas e portais ridiculamente construídos para economizar dinheiro, estereotipados no lugar comum, sem nenhum designer, coisas de país subdesenvolvido e de um povo que não dá valor aos antepassados.

... mas andar por essa rua me traz muitas lembranças.

No momento em que passei por essa Igreja - a primeira Igreja Ortodoxa construída no Brasil - parei e a fiquei admirando entre as grades, sentindo os perfumes de uma terra distante.
O sol estava brilhante, o azul limpo e incrível me aconchegava na saudade dos tempos bons qeu tive especialmente nesta rua.
Neste dias ensolarados, com prazer eu recordo de uma pessoa que amo imensamente.
Dizer que amo já é o suficiente, porém parecem poucas as sensações que estes dias me despertam no amor que eu sinto.
Sim, tenho saudades... de um sorriso parecido com esse céu azul e de um campo de margaridas brancas.
...e entre esse misto de sentimentos de presença-lembrança, eu tive que amadurecer.
Mas ainda sinto aquela dor apertada, aquelas lágrimas duras que descem pela alma de não ter mais você aqui, nessa rua. Nem sua casa existe mais!
... e o sol no azul infinito de um começo de manhã deste dia especial me fez sentir você, comigo... próximo-distante, em terras mágicas em que minha alma busca os seus perfumes...

sábado, 5 de janeiro de 2008

Li isso no blog da amiga Sheila Vira-Lata...


"Blogar é um vício, como libertar palavras no escuro e esperar que alguém as resgate para a luz. Escrever como vira-lata é não ter compromissos. Jornalista do interior come pelas beiradas, sem direito à fama dos companheiros com pedigree. O jornalista vira-lata escreve mais para si mesmo, quer saciar a fome de comunicar inerente à sua profissão. E as palavras são como os vira-latas, não esperam reconhecimento, querem apenas companhia."


...então... pessoas libertam suas palavras no escuro e esperam que alguém as resgate. Tudo bem depois dessa afirmação!

... depois desfazem daqueles que captam suas plavras de tristeza, alegria, amor, dor, ansiedade, solidão, chatice.... e nos descartam dizendo que não somos mais escolhidos para fazer parte dos "amigos".


Isso não é uma contradição!? Uma incoerência!?


... então... por que postam em Orkut, em Blogs se querem ficar no anonimato?!


Não entendi!


Mas continuo não entendendo os humanos, apesar de fazer parte deles.


Se procuram alguém para amar, por que não amam!?