domingo, 3 de junho de 2012

Doença


Um dia eu pensei que mãe era coisa anormal,
 era rainha do lar,
 tinha cheiro de flor
 e era quase imortal.


Hoje convivo com uma dor,
um retrato frouxo de uma mulher sem cor,
banal,
carnal, 
nem Carnaval teria merecimento
de travestir-se de alguém tão mal!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Janeiro

Da janela um ar frio entra
trazendo de longe  sementes de dente-de-leão
que se disseminam sobre as teclas do meu notebook.
São pequenos para-quedas trazidos pelo vento de amor-de-homem,
designação não meramente desastrosa, 
pois coração de homem é assim mesmo-
porta, botequim, cachaça brava, pimenta nordestina
e amor pra todo lado.
Enquanto que chorosas ficam flores carmesinas
estendendo-se rastejantes, chorão-das-praias.




As nuvens, cinzas rosadas denunciam clima controverso
não sabem mais quem são ou se é inverno?
Sopra um frio não comum,
É um janeiro de  flores de outras estações. 
Meu coração bravamente 
endurece novamente
finge que é dormente um amor 
que nunca sente.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Tristeza profunda

Estou muito triste hoje. Passei assim o dia todo entre lágrimas e risadas, uma montanha russa de sentimentos que se mesclaram, mas perdura o luto.Como se eu tivesse enterrado alguém muito caro em minha vida. A sensação de que se é uma poça d'água também permanece. Liquidificou-se alguma parte de mim a qual não sei bem, não me dei conta dela ainda. Custará mais alguns dias? meses? ou anos para que eu tome a devida sensação de que algo aconteceu neste dia de hoje.
Os sentimentos imediatos são obscuros e enigmáticos, depois de anos vamos dar conta de que algum farrapo ficou daquilo tudo e saberemos dedilhar como as letras de uma cartilha quando se tem sete anos de idade. Hoje, aos seis, cinco anos de idade, porque tudo corre. A urgência do tempo devora todas as fases que antes eram determinadas e comportamentais, condicionadas. Mas não devora o amor, este só fica corroendo corações, mentes e fronhas de travesseiros. Galos cantam pela imensidão da noite. Antes eu gostava de ouvi-los porque acordava em paz e sabia o que ia fazer no outro dia. Era como se tudo  estivesse no seu devido lugar, a mesa posta para o café às 6 da manhã, o caminho para a escola, os alunos, a lousa, as palavras de anos repetidos.
E as melodias tristes que tenho ouvido contam histórias que vivo, não são imaginações como me contava um mestre das línguas nos tempos de faculdade. Antes fossem magias, lendas, contos de fada...
Minha alma é triste como dizia um poeta que nem me lembro bem e que  faz parte das minhas madrugadas de trovador bêbado.
Um grito abafado soa entre meus braços e o violão que tenho guardado atrás da porta - nem pra isso me dei! sonhos, sonhos, vontades, mas a tristeza pegajosa dos dias sai como uma gosma verde a maltratar minha pele.