domingo, 4 de outubro de 2009
sábado, 3 de outubro de 2009
Experiências...
...dia 29 de Setembro sofri uma cirurgia de vesícula. Nada de mais, apenas uma simples intervenção para tirar algo que me atrapalhava há uns meses.... dores nas costas, que pareciam coluna! Problemas com o vinho, que me levaram ao desmaio uma vez, em São Paulo...
... uns médicos diziam que era stress, outros, labirintite!
cheguei à conclusão que os médicos ultimamente precisam estudar mais, assim como a maioria dos profissionais no Brasil... Aqui tudo vira improviso, como sempre! E ninguém passa a saber nada de nada. São meras suposições! Supõe-se sobre tudo, desde a ida do homem à Lua a uma simples "pedra" na vesícula...
...but I wouldn't speak about this...
Porém o que tenho a falar sobre a experiência é muito mais profundo...
Cheguei ao Hospital às 5:30, estava calma. A atendente preparou minha internação e logo vieram outros comigo - mais 3 pessoas passariam pelo mesmo naquele dia.
Fui para o quarto, logo me troquei para seguir à sala de cirurgia. Vieram duas enfermeiras para aplicar o soro. Deram-me um remedinho azul para acalmar, não era Viagra...
Chegando à sala, Dr. Aulício conversava animado comigo, rindo simpático... Pela quarta vez, ele foi meu anestesista.
Trocamos algumas palavras e bem antes de eu completar o que ia dizer a ele, não vi mais nada. Acordei 4 horas depois, já no quarto ao lado de minha mãe...
Penso que a morte seja assim. A experiência não é nada parecido com um sono profundo, em que sonhamos, traçamos planos, imaginamos, continuamos a vida, resolvemos problemas ou deixamos vir à consciência aquilo que nos aflige pelos dias...
A anestesia geral é a própria morte que nos apresenta em vida, por isso somos animados por aparelhos, entubam-nos para que conitnuemos a respirar.
Um átimo de descuido, vamos para o outro lado - a morte!
A vida é muito frágil. Muito frágil!
A Morte tem muito mais efeito sobre todas as coisas e perdura para a eternidade.
...sempre nos questionamos sobre um outra vida nas conversas, na religião, nas crenças... mas a Morte, meus caros, é a morte pra sempre! Ela vem e não nos resta mais nada. Não temos sonhos e nem mesmo a sensação de estarmos em continuação... Não há Luz no fim do túnel. Não há pessoas e nem antepassados que venham nos alentar. Não há nada senão um vácuo entre um período e outro - o da anestesia, que depois dela acordamos e podemos perceber esse vácuo. Na morte não tem vácuo. Existe o fim.
... e quando eu digo FIM, é fim mesmo!
No íntimo sabemos, por isso sofremos e não queremos a morte daqueles que amamos. Por isso perdemos o sono pelos filhos que estão longe, pela sobrinha desmiolada que não chega na madrugada... Por isso ouvimos um galo cantar na madrugada fria enquanto velamos alguém querido sobre o féretro frio e o rosto inerte... são nossas últimas horas com quem amamos. Depois desse vácuo, nada sobrará - nem carne, nem o rosto, o sorriso... Recorreremos a fotos para lembrar...
O melhor de tudo - morremos, mas também morre aquilo que foi triste, as experiênicas desastrosas, as lágrimas que alguém nos fez chorar.
A Morte tem seu lado interessante - há quem diga que viramos santos! Ela nos deixa santos! Plenos! Viramos coitados...
Contudo, o lado mais triste da Morte são os que ficam - por isso choramos.
...choramos não por aqueles que foram, choramos pela privação da companhia daqueles que tínhamos, choramos pelo abandono, pela orfandade, pelo amor que não teremos mais...
Tenham certeza, meus caros - a Morte é a morte! Não existe o outro lado, não existe o paraíso, não existe as mensagens dos mortos... Tudo são projeções de mentes vivas e muito vivas!
Eu sei que é triste saber disso! ...então devemos amar as pessoas como se não houvesse o amanhã!
É só!
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Deus é triste!
Subindo a estrada de Passos que me traz para casa.
Seis horas da tarde é uma hora singular. Simplesmente porque os olhos de Deus, com a cabeça baixa, nos observa, guarda sua ferramentas do dia... leva o rebanho para os currais. O sol deixa-se filtrar nas nuvens com brilho de cristal azul. Seriam as horas dos anjos?
Penso que não. Eles nos encontram muito tristes no final de mais um dia.
O ônibus desce lento pelas curvas de Minas. As suas montanhas azuis. O verde ameno das forragens nos morros bem próximo à estrada... gramíneas, flores do mato.
Percebi que Deus é triste.
As sombras do dia deitam-se em paz sobre a paisagem, descansam os olhos.
As casas perdidas no meio do sem fim. A fumaça encolhida das chaminés rabiscam o ar limpo. Um boi perdido balança o rabo com prepotência - como se dissesse "eu estou aqui porque quero! Ninguém me leva de volta à casa."
Eu olho mais uma vez o espaço que quase toca o céu de tão alto.
Meus olhos estão parados, firmes, imóveis pela beleza.
Mas Deus é triste.
Sinto como se tivesse em despedida.
Talvez nem perdesse grandes coisas.
Deixaram Deus tão triste...
A paisagem muda com a marcha do ônibus.
Vai escurecendo aos poucos. Aos poucos vou deixando a tristeza de Deus no caminho e vejo que já é noite.
Um pouco da alegria que tenho volta porque o escuro faz a paisagem desaparecer.
Foi salvação.
Os anjos brincaram de tapar meus olhos...
domingo, 20 de setembro de 2009
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