sábado, 19 de julho de 2014

19 de Julho - um dia triste! Rubem Alves partiu nos deixando mais pobres!

De todas as coisas que li dele, o artigo abaixo é um dos que mais aprecio, pois ele fala do ipês-amarelos... Árvore de que mais gosto. Ele era um homem que amava os ipês-amarelos e os perpetuou neste singelo artigo que saiu na primeira edição da  revista Bons Fluidos, em 2004.

ARTIGO

Os ipês-amarelos

O que você ama define quem você é. Descartes afirmou: "Penso, logo existo". Rubem Alves inverte Descartes e diz: "Amo, logo existo"


Trechos da primeira coluna de Rubem Alves publicada em BONS FLUIDOS, em novembro de 2004.
Acho curriculum vitae uma coisa boba. Sei que os burocratas sem eles se sentiriam perdidos. Por amor aos burocratas e curiosos fiz uma concessão: coloquei o meu na minha homepage. Mas lhe dei um nome novo. Curriculum, em latim, quer dizer pista de corrida. Um curriculum vitae é, assim, uma enumeração dos lugares por onde se passou, na correria da vida. As coisas que eles registram não existem mais. O que é passado está morto. Assim, na minha homepage, ao invés de curriculum vitae eu escrevi curriculum mortis, porque eu não sou o meu passado. Eu sou o meu agora. De um pianista que vai iniciar o seu concerto não se espera que ele diga os nomes dos professores com quem estudou... Dele só se espera uma coisa: que se assente ao piano e toque...

...Ao final de uma entrevista o entrevistador me fez a última pergunta: "Como é que o senhor se definiria?" Fui pego de surpresa. A resposta teria de ser curta. Lembrei-me da frase que o poeta Robert Frost escolheu para seu epitáfio: "Ele teve um caso de amor com a vida..." Encontrei minha definição em mim mesmo. Respondi: "Eu tenho um caso de amor com a vida..."

Uma professora me contou esta coisa deliciosa. Um inspetor visitava a escola. Numa sala ele viu, colados nas paredes, trabalhos dos alunos acerca de alguns dos meus livros infantis. Como que num desafio, ele perguntou à criançada: "E quem é Rubem Alves?" Um menininho respondeu: "O Rubem Alves é um homem que gosta de ipês-amarelos..." A resposta do menininho me deu grande felicidade. Ele sabia das coisas. As pessoas são o que elas amam. Descartes afirmou: "Penso, logo existo". Eu inverto Descartes e digo: "Amo, logo existo".

Mas o menininho não sabia que sou um homem de muitos amores... Amo os ipês, mas amo também caminhar sozinho. Muitas pessoas levam seus cães a passear. Eu levo meus olhos a passear. E como eles gostam! Eles têm fome de ver. Encantam-se com tudo... 

...Escrever é minha grande alegria!...

...Vejo e quero que os outros vejam comigo. Por isso escrevo. Faço fotografias com palavras. Diferentes dos filmes que exigem tempo para serem vistos, as fotografias são instantâneas. Minhas crônicas são fotografias. Escrevo para fazer ver. Uma das minhas alegrias são os e-mails que recebo de pessoas que me confessam haver aprendido o gozo da leitura lendo meus textos...

...Não tenho medo da morte. O que sinto é tristeza. O mundo é muito bonito! 

Gostaria de ficar por aqui... Escrever é meu jeito de ficar por aqui. Cada texto é uma semente. Depois que eu for, elas ficarão. Quem sabe se transformarão em árvores! Torço para que sejam ipês-amarelos...


sábado, 3 de maio de 2014

Políticas... bah!

Já faz alguns meses que não escrevo. O luto por minha mãe ainda permanece e hoje tenho menos forças que tinha antes de sua morte. Mas ainda tenho uma esperança - que meus leitores ainda leiam algumas páginas perdidas pelas linhas que se tramam pela internet. Nunca pensei que chegaria a 2014 e assistiria um combate político tão sórdido que presencio nestes últimos  dias: Aécio e Dilma. Até quando lutarão por seus interesses mesquinhos? Não há mais dúvida de que são interesses de enriquecer que levam muitos à política brasileira. Por que não vêm dar aulas trabalhar onde trabalho, resgatarem pessoas da pobreza mais miserável que uma pessoa pode ter - a sua negação à cultura! Não precisamos ser ricos para termos acesso ao que é bom - porque o que acho bom é o que a maioria não tem - a cultura. Um livro poderia salvar tanta gente!
Vejo tanta gente na hipocrisia de sobressair sua classe ou tentar ficar entre ela - a elite burra deste país miserável... eu não sei de nada, leio pouco, estudo pouco, apenas aquilo que meu tempo de trabalhador me proporciona - lecionar!

Espátodea

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quarta-feira, 29 de maio de 2013

De volta!


Só escreve bem quem lê ou quem se aventura no mundo das ideias.
Uma vez, assistindo a um programa do Jô Soares, vi e ouvi de uma atriz as suas experiências de se aventurar no mundo no mundo das ideias. Ela disse nesse programa que quando assistia a um filme ela se tornava aquele filme. Saia, já, do cinema, sentindo-se a heroína do filme. E, por muitos dias ou meses, ela procurava se apoderar da personagem nos modos, na fala, em como se vestir. Depois de muito tempo que se deu conta disso. Assim, também, acontecia com os livros que lia e atualmente, com as personagens que realizava no teatro ou cinema. Achei interessante porque eu, de alguma forma, passava pela mesma experiência de vivenciar meus heróis de filmes, livros e música. Tornava-me namorada deles e sonhava acordada, mergulhando em um mundo de encantamento que só a ficção nos faz entrar. Até hoje sonho com os poemas de Adélia Prado porque sinto ser as mulheres que ela poetiza com tanta realidade. Em meu perfil há um poema dela, que também está em meu blog onde escrevo meus sonhos, minhas maluquices, meus dissabores. E este poema me e tão real, que ao lê-lo me transporto para seus versos e sinto mesmo ser aquela mulher que ela descreve tão bem. É tocante como a arte nos faz melhores do que somos, uma agente transformadora de mundos possíveis e impossíveis.