quarta-feira, 31 de março de 2010


PP- Caio ao centro e Pedro, meu filho!

O céu anda cinza, os ares frios por aqui. No quarto escuro, acalento meus sonhos em meio a luz azul do computador. Se ao menos Clarice tivesse um PC, suas palavras aí sairiam como enxurradas, não como fluxos de pensamento. 
Mas meu pensamento anda vazio, feito olhar a amplidão ou ficar estático entre as folhagens de uma clareira.
Quero encher meus sentimentos tridimensionais vagos de esferas e propagar minhas palavras pelo espaço em fim.
O agora é uma tarde de nada! Cheia de silêncios. Se ao menos eu tivesse aquele sentimento que faz as cordas do relógio da vida andar?!...
Não tenho.
Tudo são apenas ensaios, esboços mal feitos de um retrato.
O que eu acalentava, voou, anda pelas livrarias, bibliotecas, nos espaços de conhecimentos da matéria e da vida!
Não mais me pertence!
Sinto saudades de tudo quando era pequeno.
Eu ia ali na pracinha e voltava feliz. Meu filho sorria de longe e acenava a mãozinha pequena e o sorriso ia frouxo pelo vento.
Os cabelos encaracolados, negros, os olhos grandes de jabuticaba cresceram.
E eu estou aqui em mais um Outono procurando escrever mundos de faz-de-conta.
Levanto, acendo a luz porque não sei mais ficar na escuridão, as sombras me trazem o medo daquele buraco infinito dentro do peito que algumas vezes eu sinto. E temo! Vou até a cozinha, olho a paisagem escura da tarde, pego mais um café. Falta-me o cigarro e o café  das conversas com as amigas Ciça e Berê. 
É engraçado como as pessoas que antes estavam já não mais sobrevoam nossas vidas.
Meu primo Marcelo!
Meus avós....
Eu brinco de enfeitar meus dias com gente de aço, plástico e luz. Se ao mesnos tivessem luz eu não estaria tão no escuro!
...e a tarde termina mais escura ainda, com ares temerosos. Não sei por que razão? Não gosto de tardes assim! Dói o coração, a alma, sinto-me num eterno vazio, tão imensurável que não existo!
Se é a Saudade? Não sei dizer. Mas a falta me dá vontade de nada mais escrever!

  

sábado, 27 de março de 2010

Revoada de Pardais



















Nem imagino onde eles estão agora
Era mais fácil quando vestiam o pijama
E pedia a história do elefante azul
Parece que restou um cheirinho de talco na almofada do quarto
Deve ser só impressão
Nesse tempo, eu não tinha medo da noite
Ela era o telhado dos poetas
As sombras eram apenas  a franja mal-aparada dos anjos
A trava na porta me bastava
Hoje, as camas vazias me assustam
Elas acusam o passar das horas
E denunciam a revoadas dos pardais
Os meus pardais
Já não posso abrir minhas asas sobre eles
São pequenas demais para cobri-los
Frágeis demais para defendê-los
Ainda bem que me resta a prece
Minha aliada nos dias de nuvens e nas madrugadas  sem fim
Peço perdão pela insistência
Mas reza de mãe é assim mesmo
Pura perseverança
Que Deus abençoe minhas crianças
De barba na cara e calçado 42
O resto da vida é secundário
E fica pra depois
Que as ilumine com seu sorriso
E se preciso acione seu séquito de estrelas
Se tiver que usá-las
Prometo devolvê-las
E quando o cansaço me quiser já recolhida
Hei de poder sorrir pela missão cumprida.

Flora Figueiredo

Dizem que ando alegre demais...

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Não seremos marido e mulher
Nem mesmo amantes
Que tal apenas namorados intermitentes
Docemente nos  amando itinerantes
Trocaremos afagos
Quando o dia amanhecer na encruzilhada
Deixarei em você meus cheiros de mulher
Lançaremos olhares disfarçados
Que certamente passarão despercebidos
Pois namorados são de deuses os protegidos
Quando nossas mãos orçarem-se furtivas
Vão insinuar desejos abafados
Pelas regras da vida censurados
Mas que são flores no canteiro
Sempre-vivas!
Ao nos encontrarmos pela tarde rua acima
Lá, onde a mangueira domina a rotatória
Assinarei um verso sublimado
A grafitar nossa parede divisória...
Flora Figueiredo

sexta-feira, 26 de março de 2010

quinta-feira, 25 de março de 2010

Que medo alegre o de te esperar!


O Fábio Fantini é uma amigo querido do meu coração. No entanto, uma vez, na porta do Teatro Municipal, na semana que antecipava o Natal ele disse que tinha lido o meu blog e que era "amor demais, muito amor, que eu amava demais". Amor demais pra ele! Eu respondi que não havia jeito, eu era como me apresentei! A outra pergunta se seguiu infame - então por que está sozinha, se o amor é o prazer da companhia?  Respondi que tenho prazer pela companhia de muita gente, e não havia um único específico. Tipo eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também...

Mas falar de amor é uma das coisas de que mais gosto - essa paixão pela palavra é que me encanta.Por isso leio os contos de amor, de fadas e princesas encantadas para meu alunos. E vejo os olhos sonhadores viajando nas minhas palavras misturadas às mágicas das fadas, aos encantamentos, aos tapetes voadores e seus enigmas...

Quando criança sempre sonhei em ter um tapete mágico que me levasse para todos os lugares. Hoje revolvo aos meus sonhos de criança nesta tarde amena de Outono, de sol brilhante e céus azuis de poucas nuvens.
Meus sonhos andam voadores, vão buscar longe saudades de quem nem conheço pessoalmente, feições, trejeitos, vozes, cantares, sorrisos. Ah, as gargalhadas e os deboches de quem ainda tão novo já celebra os momentos de sua morte. E ela tem data!

E meu tapete persa, voador, bordado de fios de seda e lãs tingidas com as cores dos meus sonhos viaja pra longe na noite azul, de  lua turca e das estrelas.
Olho pela janela e o suspiro vai longe com o ventinho doce que bate em meu rosto . Meu corpo  evola os sabores do sexos e enrola-se lascivo nas mantas de nuvens cor de prata azulada.

Releio meu texto várias vezes procurando palavras certas para rechear vãos que sobreviveram de épocas mais rudes. Será que o que escrevo é verdadeiro ou uma cópia de tudo que já li nos livros, nas canções e versões que tento a todo custo ingerir das terras que nuca visitei? Simbolismo nefelibata - sonhadora é a palavra que  me deram outro dia. E como gostei, porém tenho perfeita certeza de que não vivi, passei!
Será?

(Mais uma vez eu dedico o texto ao José Victor, lá de Fortaleza...)

sábado, 20 de março de 2010

Outono


Chegou uma das estações de que mais gosto no ano - o Outono!
Estou diante da tela vazia e branca do blog tentanto uma inspiração para escrever, enquanto rola "Lover, You Should've Come Over," de Jeff Buckley. A canção termina e nada vem, apenas o olhar de uma foto que vi dias atrás. Não sei porque me comove tanto, porque mexe comigo tão profundamente...
Lendo  meus e-mails, li uma mensagem de uma outra amiga de muito longe a Erica e pensei, cinscunspecta, que Deus nos traz caminhos, mensagens através das pessoas, escreve em seus corpos sofridos, em seus olhares, as mesmas histórias em outros corpos... Seria uma revelação de algo que eu tenha que fazer em minha vida e só agora descobri?
Talvez esse seja o caminho que tenho a seguir?
Por isso até hoje não tenho encontrado as respostas certas para todas as minha dúvidas, meus desacertos, minhas insatisfações e vontades de mandar tudo pro alto. 
Os livros chegam diversos em suas histórias e teorias e me aguçam a paixão por educar! Salvar? Curar?

O Outono nos cura todas as feridas por ser uma estação mais amena, fresca, colorida, de pouca chuva e céus intensos! Mas como me faz pensar esses dias... É como se eu mergulhasse numa taça de vinho tinto suave e visse as cores através de seu cristal bourbon. O perfume enebria a alma e o corpo pede o amor, aconchega-se na coberta leve de pele de carneiro. Fico horas a fio nessa comoção estática, pensativa, observando o dia virando noite. 
As pessoas que passaram por minha vida voltam, não como fantasmas, mas como pedaços de retalhos de  uma colcha que eu teci delicadamente. Bordei-os com os mais delicados fios e cores... e estão guardadas neste baú imenso de moça que faz seu enxoval. Resquícios das sinhás-moças, das fazendas de café e do leite puro mineiro. 
Num instante, olho pela janela e vejo que a noite chegou logo neste dia - é o Outono trazendo suas canções, seus ares de lembranças, seus perfumes, a saudades dos que moram longe e das épocas que talvez fôssemos mais felizes.

(Esse texto vai lá para Fortaleza, para o meu amigo José Victor, que ainda não conhece o Outono daqui das bandas das Minas Gerais!)

(Créditos da foto João Prudente Pires)

sexta-feira, 5 de março de 2010

Amar, "verbo transitivo-reflexivo"

 
CAMINHAR é um exercício que faço quase que diariamente ou quando meus alunos me liberam da tarefa árdua de ensinar. Sei que não tenho tido mais tempo pra esse luxo, pois isso é coisa de quem não tem lá o que fazer...

Confesso que tenho tentado acordar às 6:30 da madrugada pra ir à Academia praticar Hidroginástica e Musculação, duas das muitas paixões da minha vida.

Ontem conversando com o Guga, um amigo de MSN, ele me disse que não se apaixonava por pessoas, mas por idéias. Fiquei pensando, pensando... E vi que já tinha ouvido isso do Alexandre, uma de todas as paixões de minha vida. Repito essa idéia porque é sólido, se fosse líquido, eu beberia, é claro, e com um bom tira-gosto destes de bar que só mineiro tem.

Amar idéias, apaixonar por idéias.... ele se apaixonou pela minha idéia de estar apaixonada por um membro do JBB- o famoso Zé. Isso foi um acaso, nem destino explica, podem até dizer que é falta do que fazer...

Mas! Na realidade! Tudo pintou como eu disse... talvez eu também tenha me apaixonado por essa idéia meio estapafúrdia, sem eira nem beira que se me apronta - paixão via cabo ótico!

No entanto,  quando nos apaixonamos, estamos fazendo uma viagem de volta para dentro de nós mesmo, para dentro do nosso coração. Estamos apenas nos buscando do vasto inverno da solidão que nos impomos.O que não deixa de ser, por outro lado, a paixão e o amor que temos por nós mesmo, que esquecido, nos revela em momentos que menos esperamos.

Estes momentos, talvez, estejam lá apenas esperando por uma dose pequena de Venlafaxina, que amaina os corações mais medrosos por alguma angústia trazida pela vida, por um desassosego profissional, por um período de doença.

Somos humanos, por isso somos loucos, desparafusados, incompletos, sofredores das dores do parto em que nossas mães nos puseram para fora, como diz o Flávio Gikovate em um de seus artigo.


"Várias são as conseqüências de a vida ter se iniciado dessa forma. A mais marcante talvez seja a que diz a respeito ao fenômeno amor. A dramática sensação de desamparo que vivenciamos ao nascer se atenua quando nos reaproximamos fisicamente de nossas mães, sobretudo na hora da amamentação. Aprendemos que o "buraco" fica menor com a sua presença física, com sua proteção concreta e também com o aconchego abstrato que ela nos faz sentir. É no colo dela que experimentamos a sensação mais parecida com a do paraíso uterino definitivamente perdido.

Buscamos ficar próximos de nossa mãe porque ela nos traz de volta a paz e a harmonia que um dia sentimos como permanentes. Só que agora isso se alterna com períodos de dor, desespero e angústia. Não há como estarmos sempre no colo da mãe, aconchegados por sua presença protetora.

Se definirmos o amor como o desejo de reencontrar o que foi perdido com o nascimento, por meio da aproximação física (e depois espiritual) com outro ser humano – que nos dá a sensação de completitude que não temos quando estamos sós –, compreenderemos que nosso primeiro objeto de amor é a mãe. Descobriremos também que todos os posteriores são substitutos desse original. Como o desejo de nos completarmos nos persegue ao longo de toda a vida, podemos dizer que o amor é um dos desdobramentos fundamentais do trauma do nascimento. Se nascer não fosse uma transição para o pior, para a dor, com certeza não existiria o amor; ao menos como nós o conhecemos."

Profundo, mas ainda não é bem nisso que quero chegar... Talvez dizer que essa é uma viagem par ao cerne da terra, para onde fomos criados, um momento de explosão da qual não tomamos a dimensão do que seja. Porque na vida tudo é mágico e inexplicável. Ou talvez dentro dos nossos sonhos caibam o mundo. Acho que agora encontrei a palavra certa para definir o amor - dentro do sonho do homem cabe um mundo de possibilidades, com aconchego do colo da mãe ou de uma pessoa por quem nos apaixonamos ou desejamos nos apaixonar, ou  quem sabe amar?

Voltando à caminhada, sobre a qual deveria estar falando, porque nelas gosto de meditar os momentos por que passo nos dias e meses que se seguem corridos. Eu olhei o céu e ele se resplandecia como os raios de um hostensório sobre um altar - e acho que é lá que está guardado o sentimento de amor. O Ser o fez tão perfeito que nós só o podemos ver de longe, é intocado. 

O Céu ontem estava com a aura dos santos, estava de se perder no íntimo das meditações, estava como  um caminho sem volta. Como a  vontade de voar, transcender todos os organismos que me cerceiam e que me fazem escapar do verdadeiro sentido do ser... 

Ei, parem! Aonde vocês pensam que vão?

Então aí vem a consciência do que estamos fazendo é ridículo, de que devemos desprezar para que sejamos mais apreciados.... que devemos nos resguardar para que não sejamos pagadores de micos homéricos. O homem é orgulhoso, tinhoso,  não gosta de se ver menosprezado, ridicularizado, inda mais pela sua vítima, que muitos chamam de par, companheiro, namorado, paixão, amor para a vida eterna.

Ei, parem com isso! Parem com isso! Permitam-se cair no ridículo, riam de si mesmos, porque rir é a lembrança mais memorável e caridosa que fazemos pra nós mesmos. Permitamo-nos errar, e errar é viver!

Apaixonar-se  e cair no ridíciculo são dois irmão companheiros, assim como amar e se apaixonar é se perder em si mesmo, é buscar você de volta dos períodos em que se amou menos, em acordo com o outro - o objeto do seu carinho. Por isso "transitivo-reflexivo".

Então, eu olhei o céu mais uma vez, e os últimos raios de Sol  eram encobertos pelo manto negro da noite (romântica, para  acabar com a frieza de se tentar descrever um sentimento!) e daí pensei: ainda hoje terei a Lua como testemunha, mas ela estava pela metade (esperando a sua outra metade da laranja,)  grande, abóbora, saindo do meio das montanhas verdes das Minas Gerais.

Fim!

... ou o começo de um grande sentimento?

(Este texto eu escrevi para um grande amigo que está guardado aqui, neste momento, dentro do meu coração - o Zé!)


quinta-feira, 4 de março de 2010

When I fall in love... I think it'll be forever!


When I fall in love it will be forever
Or I’ll never fall in love

In a restless world like this is
Love is ended before it’s begun

And too many moonlight kisses
Seem to cool in the warmth of the sun

When I give my heart it will be completely
Or I’ll never give my heart

And the moment I can feel that you feel that way too
Is when I fall in love with you.