terça-feira, 27 de novembro de 2007

De cães, de amores e de pessoas...

Há uns meses A Sasha morreu. Era uma cachorrinha que eu tinha há 9 anos! Já falei sobre ela aqui nesse blog.
Nos primeiros dias sofri muito. Chorei. Senti saudades. E as saudades de Sasha continuam...
Nos primeiros dias, tinha ciúmes de mim mesma e da idéia de colocar outro cão no lugar de Sasha. Era maluco tal sentimento. Tinha ciúmes de colocar algo no lugar de quem amei tanto... Pessoas e animais são insubstituíveis! Como as pessoas, eles têm personalidade!

Sury é a minha mais recente amiga. Um pouco indefinida ainda. Estamos nos conhecendo. Ela aprendeu logo a minha voz, meu cheiro, os costumes da casa, os horários britânicos... Mas ainda não sei! Há algo estranho no ar! Talvez a necessidade de reencontrarmos aquilo que perdemos. Acho que é isso.

Adquirir cachorros, adotar mascotes é um bom exercício de convivência humana. Aprendendo a amar os cães, aprenderemos a compreender pessoas. E mais do que tudo, aprenderemos a perceber que pessoas, assim como os cães, tem personalidades e caracteres diferentes. São singulares.

O maior erro dos humanos é procurar colocar forma naquilo que por sí é sem forma, e vive para a evolução.

Por isso nos decepcionamos quando, terminado um relacionamento, enamoramos de outros e outras, procurando nessas resquícios do outro que já foi. Cada pessoa é única neste mundo, é erro nosso querer reatar através de outras pessoas, a convivência que nos foi tão cara e já não temos mais!

Por isso somos feitos, para aprender a evoluir. Quando nos prendemos, não vivemos. Quando recordamos, o primeiro passo é atribuir ao outro personalidades idênticas ao nosso pequeno círculo de amigo, amores e cães.

Agora eu sei! Quando recordo os relacionamentos que não deram certo, percebo que fiz justamente isso: senti ciúmes de mim de colocar outra pessoa no lugar de quem tanto amei.

Por isso precisamos do luto. Luto para quem nos deixou pela morte física ou pela morte espiritual do amor. E esse deve durar o período exato de não sentirmos mais esse "ciúme" estranho, que bem poderia ter outro nome. Eu não soube nomear esse sentimento. É um não querer colocar outro no lugar.

E ele persiste quando observo o olhar da minha pequenina Sury. Olhar indefinido, triste? Desconfiado? Enigmas...

domingo, 25 de novembro de 2007

Minha amiga global...Luna Negra!

El jardín de las morenas
(Pórtico)
El agua
toca su tambor
de plata.
Los árboles
tejen el viento
y las rosas lo tiñen
de perfume.
Una araña
inmensa hace a la Luna
estrella.

...oooOOOooo...
Frederico Garcia Lorca

sábado, 24 de novembro de 2007

Estou só e reconheço que o samba é bom quando ele é triste!



Depois das cervejas,
Sempre a tela e os fios óticos.
A cachorra que já passa pela cozinha
pára em frente ao microondas esperando o apito:
Bom Apetite!

Crianças aprendem logo!
Adultos esquecem.
E sofrem!
Colocam pessoas
e o mundo todo dentro de um pequeno círculo
e sonham suas músicas tristes.

Meninos mimados
sabem-se belos.
Caras,
bocas e um pouco de timidez para abstrair o encanto.


A manhã, sempre, depois da Lua,
levantarão melhores.
A ressaca,
o sol surgido,
as nuvens brancas e as montanhas.
A brisa suave que balança as cortinas
e a malemolência do sono.

Sonhar é bom.
Esconde a vida!
Leva pra longe o amor!

Seja educado... Deixe seu email... gosto de falar com as pessoas...


Mas inda mais com os cães...rs!




Circles and people...




Por isso os sofrimentos vieram, Bird... Não podemos segurar pessoas e a própria evolução do mundo em um círculo...rs!

Essas crianças egocêntricas...
rs!

E para vocês.... Jeff buckley!

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To be or not to be... aí depende!

Escreveram no meu blog dizendo que tenho que visitar e ser visitada...nem sei fazer isso! Rs...
Escreveram também que amar não é o suficiente para saber-se...
Não sei!
Escreveram que também que ela "é uma mulher de multiplas escolhas"...
Taí, ela definiu-se...
Quem diz que vc não sabe quem é?
É a mulher das múltiplas escolhas... Rs!
Talvez meu mundo seja pequenino, por isso sei-me!
Rs!
Dona Alda, Dona Alda...

Este é o único jeito de "virar pizza" e ser legal!


sábado, 17 de novembro de 2007

Happy Birthday to you...



"...and what do I want people to get from the music?

Whatever they want, you know...whatever you like."- Jeff Buckley

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sexta-feira, 16 de novembro de 2007

You've got a mail...

Somewhere, over the rainbow, way up high.
There's a land that I heard of
Once in a lullaby.
Somewhere, over the rainbow, skies are blue.
And the dreams that you dare to dream
Really do come true.
Someday I'll wish upon a star and wake up where the clouds are far
Behind me.
Where troubles melt like lemon drops,
Away above the chimney tops.
That's where you'll find me.
Somewhere, over the rainbow,
bluebirds fly.
Birds fly over the rainbow,
Why then - oh, why can't I?
If happy little bluebirds fly beyond the rainbow,
Why, oh, why can't I?

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Versos de Lorca

Eu pronuncio teu nome
nas noites escuras,
quando vêm os astros
beberem na lua
e dormirem nas ramagens
das frondes ocultas.
E eu me sinto oco
de paixão e de música.
Louco relógio que canta
mortas horas antigas.
Eu pronuncio teu nome,
nesta noite escura,
e teu nome me soa
mais distante que nunca.
Mais distante que todas as estrelas
e mais dolente que a mansa chuva.
Amar-te-ei como então
alguma vez?
Que culpa tem meu coração?
Se a névoa se esfuma,
que outra paixão me espera?
Será tranqüila e pura?
Se meus dedos pudessem
desfolhar a lua!

Na Primavera a calmaria, tranquilidade, uma quimera/ Queria sempre essa alegria/ Viver sonhando, quem me dera....





segunda-feira, 12 de novembro de 2007

domingo, 11 de novembro de 2007

A resposta... eu já sabia...rs!

Corujão responde...


Ei (como diria um nato capixaba), Julieta!

Como nos afastam os espaços,quanto nos une o amor...Meu conserto é um desconserto, um desmanche de mim mesmo e fragmentos roubados de mim por mim mesmo....o tempo parece um lesmo de uma lesma rapidez ou passa um ano como se fosse um mês ou semana seja lá, seja aqui, seja ai, como for, parte de mim está sempre com você! Andei tentando rolar a pedra do tempo, sabe, para trás, recuperar, reviver, mas a chave, a alavanca quem sabe se é ou ficou para trás, então me perco no espaço dentro do tempo desolado querendo você, não posso querer, querer, o que é quem querer? Você aqui em meu peito, e no verde, na vida você aí, eu aí, dentro de você, nós dois sendo, sendo, indo, nesse carrossel de estações o nosso amor nunca findo, oculto até florir feito ipê... ´
Teu mundo, o cinza com o gosto do descanso,as pausas azuis e a grande sorte de sermos perseguidos pela felicidade que todos perseguem noutro mundo, ns buscamos palavras simples em textos desalinhados de arial ou verdana.
Às vezes somos paineiras numa república das bananas jogando sementes imensas no vento entre troncos espinhentos, sementes imensas que voam levadas por projetos de travesseiros que as folhas sonharam com as brisas e acordaram flores rosas e roxinhas como mergulhar em teu corpo e acordar sonhando que esse outro mundo, tão nosso, é eterno, terno, terno, sem espinho nem fogo no mato, pura clareira, mas ao redor encontramos pessoas e pessoas e aceitamos acordar de um sonho dentro de outro já não mais tão nosso como efeito de algum veneno shakespeareano emboticado para nos fazer poetas ascéticos mundanos de terra, ar, água e o fogo dos amantes.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

O Eterno e as frase feitas...rs!



Concerto da alegria

Sou o intervalo entre alguém e alguma coisa...
Eu deveria me chamar assim... E quando eu descanso do trabalho, vem a tremenda sensação de se não ter nada a fazer. Tudo isso é o máximo. É quando eu penso nas poesias que eu poderia escrever no caminho de volta do trabalho.

Hoje olhei o céu. As nuvens espessas, brancas, feito plumas brancas e levemente tingidas de cinza... mas aquele cinza que dá gosto, o gosto do descanso...talvez de um descaso. Era o cinza do nada, meio rosa! Se me entendem. Entremeados de pausas de azul, como se nos deixasse ver algo além do arco-íris, ou daquelas frases feitas de que tanto os adolescentes gostam de escrever em seus caderninhos de perguntas. Acho que lá está guardada a felicidade suprema. Eu ainda não criei asas reais, mas o meu efêmero me leva até essa tal felicidade que todos perseguem...
Não tenho casa, não tenho carro, tenho o meu sonho de carregar minha bolsa pesada, cheia de tantos poemas que ainda não li que comprei por aí em alguma livraria. Tenho mais experiência de escrever o observar da vida, sei que me faltam conteúdos, talvez palavras belas ou preciosas. No entanto, uma amiga de muito longe disse que consigo comunicar tanto sentimento nas minhas palavras simples. É isso, eu busco o simples. Deve ser estilo, o que aprumamos durante a vida toda para nos tornarmos eternos.
Hoje percebi que tentei não deixar minhas linhas aprumadas. Tenho aquela maninha quase “TOC” de deixar meus escritos todos ”justificados” nas margens... rs! Manias perfeccionistas, herdadas de mãe sofredora, de espírito aparado e inaceitável.
Viver é isso, aceitar o que encontramos.
E o que encontramos são pessoas e pessoas... e muito mais pessoas. A boa parte delas esqueceu a que vieram! Estranho?! Vida é vida! Não há outra explicação. E há tanto vida por aí, tanta beleza.... Um dia escrevi sobre a cidade e seus tons pastel deixados pelo inverno: “Se tivessem meus olhos saberiam...” De onde obtive tais olhos? De alguma outra vida essa mesma amiga me falou. Ela se enterneceu de meu sofrimento de Julieta...Ri um pouco e lembrei do poema:”o poeta é um fingidor...” A vida é isso, driblar os sentimentos no sentido de que eles, ou aqueles que não devem perdurar, nos esqueçam e nos mostrem o caminho do céu!
Hoje assisti novamente a Romeu e Julieta. Menos sofrido do que o outro dia, mas intenso! Vem-me a mesma sensação de ter vivido aquelas cenas. Não a mesma história, mas o lugar onde foi filmado.
No caminho de volta da escola, noite, o vento espesso e húmido das últimas chuvas, o ar frio que vinha do Norte me transcendeu uma época remota e quase pude ver onde vivi há muitos séculos. Tenho certeza de outras vidas e “quando penso em alguém”, como diz a música, “só penso em você”, meu caro! Não há mais nenhuma outra explicação cabível! Será sonho?

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Eterno... e terno... é-ter² no (= em + o: lugar?)



Tenho um amigo que não quer mais ser meu amigo que gosta da palavra TEMPO!
Diz que ainda vai escrever um livro sobre o tempo!
O tempo, para mim, é um vilão.

Gosto da palavra ETERNO...

E
...T
......E
.........R
.............N
..................O

É um palavra lilás!

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Adoro o filme e a obra Romeu e Julieta...




Há muito tempo este filme foi feito por Zefirelli, lá no ano de 1968... eu tinha somente 8 anos.
Mas ainda me lembro da polêmica que foi seu lançamento aqui no Brasil que, aliás, só chegava dois anos após sua filmagem e lançamento. Quando o filme chegou ao famoso Cine São Carlos, acho que tinha uns 11 anos. Era louca por assistir Romeu e Julieta! Na época não pude, pois era proibido para menores de 14. Foi muito frustrante eu não poder ir ao Cinema com minha
Tia Cleusa, meus outros tios mais velhos, eu e meus primos... fui assisti-lo somente depois de bem mais adulta, acho que por volta de uns 22 ou 23 anos. A cena proibida era a famosa nudez de Leonard Whiting, que por sinal tinha um belo bumbum...rs! Meio magro para os padrões nacionais, mas sem dúvida um belo exemplar de potro... coisa mais machista!!!
No entanto... o porquê de eu estar escrevendo ou postando essa fotos é dizer o que este filme faz comigo... Já o assisti diversas vezes, comprei o DVD pela Submarino há alguns anos. E toda vez que vejo, caio numa profunda depressão. Dessas de arrancar um pedaço do peito mesmo. Agora estou melhorzinha... Hoje nem tive vontade de levantar-me da cama. Fiquei assim por umas boas horas.
Procuro uma razão para esse sofrimento. Alguém poderia me explicar o que se passa comigo?
Lembrei de uma pessoas especial, chorei, lembrando de seus olhos, do momento em que o conheci e de todos aqueles que passei a seu lado.
Infelizmente essa pessoa mora longe, muito longe. Tive vontade de ligar. A vontade ficou contida entre os cobertores... mais que o frio fisico, era o frio da alma. E eu fiquei ali contida, na escuridão da noite, observando entre as lágrimas o tremor da luz que entrava pela veneziana.
Pensei novamente em ligar, e como sempre o medo do desconhecido e do ridículo segurou meu ímpeto. Lembrei apenas de chorar. De esquecer mais uma vez.
E agora reflito que a maioria das pessoas esperam os telefonemas que não vêm, que não vieram... acho que é isso que me deixa triste. O medo de ousar. E pelo medo de ousar perdi essa pessoa.
Eles não tiveram, foram ao extremo de seus sentimentos. Eu nem tive força para isso, porque assisto complascente às coisas do mundo? Viajo nas janelas de outras pessoas? Subo ladeiras e estanco dores que não são minhas?
É isso? Será? Será essa a minha dor?

Sofrimentos...

O Romeu e a sua Julieta...

sábado, 3 de novembro de 2007

PARE e observe...

Há 43 anos observo essas janelas.
Olho para o alto imaginando a dor que sentem as estátuas que seguram o telhado.
Ficaram aí paradas no tempo. Absortas.
E, absorta, eu sempre subi essa rua, desde que moro aí.
Sempre carreguei dentro de mim uma mulher antiga, resignada a tudo que vi passar.
Hoje, escrevo meus poemas, colo-os, modifico suas linhas.
Recorto palavras repetidas...todas com o auxílio do computador. Ironia.
Aquela mulherzinha, meio índia de 4 anos, estampada acima, revelando minha quase personalidade, sempre foi meio velhinha. Gostava (e ainda gosta) de jazz & blues dos tempos de minha avô menina... e sempre carregando os olhos firmes, profundos, de recolher na alma todas as infelicidades do mundo e seus questionamentos.
Frequentemente viajo no tempo e encontro uma criança que observava entristecida, circunspecta o que o mundo lhe ditava. Nos meus pequenos passos, subindo a rua,
descobria a alma das casas, das janelas, das nuvens...

Vanilla Sky...esta Adélia parece que lê meus pensamentos...


Uma vez, quando eu era menina,
choveu grosso, com trovoada e clarões,
exatamente como chove agora.
Quando se pôde abrir as janelas,
as poças tremiam com os últimos pingos.
Minha mãe, como quem sabe que vai escrever um poema,
decidiu inspirada: chuchu novinho, angu, molho de ovos.
Fui buscar os chuchus e estou voltando agora,
trinta anos depois. Não encontrei minha mãe.
A mulher que me abriu a porta, riu de dona tão velha,
com sombrinha infantil e coxas à mostra.
Meus filhos me repudiaram envergonhados,
meu marido ficou triste até a morte,
eu fiquei doida no encalço.
Só melhoro quando chove.

Nesta rua, nesta rua mora um anjo...



Belezas da minha rua...

Minha rua toda é um só poema,
Feito de luz e sentimentos.
Quando era criança,
Brincava de fazer buraco de tatu pra chegar lá no Japão.
Cresci.
E o Japão apenas povoa meus traços,
Orientais de mulher índia brasileira,
Nativa, de raça.
Na minha rua teve gente rica,
Tem pobre que veio morar nas casas herdadas.
Herança maldita de anos que não as vieram reconstruir.
Passou o tempo.
Hoje me vejo uma mulher de quase-meia-idade,
Faceira, sorrisos,
Lágrimas de subir a minha rua eterna
E não poder mais ver meu filho pequeno jogar bola nas vidraças do vizinho.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

A primavera e o entardecer...




Photoshop rapidim.... rs!


DOLORES

Hoje me deu tristeza,
sofri três tipos de medo
acrescido do fato irreversível:
não sou mais jovem.
Discuti política, feminismo,
a pertinência da reforma penal,
mas ao fim dos assuntos
tirava do bolso meu caquinho de espelho
e enchia os olhos de lágrimas:
não sou mais jovem.
As ciências não me deram socorro,
não tenho por definitivo consolo
o respeito dos moços.
Fui no Livro Sagrado
buscar perdão pra minha carne soberba
e lá estava escrito:
"Foi pela fé que também Sara, apesar da idade avançada,
se tornou capaz de ter uma descendência..."
Se alguém me fixasse, insisti ainda,
num quadro, numa poesia...
e fossem objetos de beleza os meus músculos frouxos...
Mas não quero. Exijo a sorte comum das mulheres nos tanques,
das que jamais verão seu nome impresso e no entanto
sustentam os pilares do mundo, porque mesmo viúvas dignas
não recusam casamento, antes acham sexo agradável,
condição para a normal alegria de amarrar uma tira no cabelo
e varrer a casa de manhã. Uma tal esperança imploro a Deus.
Adélia, Adélia, sempre Adélia...

Belezas da minha rua...