terça-feira, 7 de agosto de 2007

Meu coração anda assim...

eu nunca escrevi sobre a morte, porém ela anda rondando minhas páginas, minha vida... desde muito cedo assombrava-me levando pessoas e amigos que admirava... durante as noites, temia encontrar com aqueles meus velhos conhecidos. a realidade nua é que eu tinha medo de gostar daquele encontro e querer ir embora com eles...
MAS os dias me alegram todas as manhãs com o sol que aos poucos vai iluminando a cidade,
roubando delicadamente as suas cores. estou ouvindo Morning Theft (Manhã Roubada), canção melancólica, arrastada, fluida, sentida... o hálito que eu sinto no rosto enquanto ouço essa música é de morte. não da morte trágica, mas daquela que nos rouba quem amamos e nos sentimos doloridos de uma dor inexplicável. há tempos que não sinto um amor assim tão forte.
sentir a morte é como sentir um amor forte. são ações opostas, porque amor é vida, e morte é o fim de quem amamos.
a sensação de amor é a mesma da morte... é meio estranho isso, tal comparação. penso que seja a sensação de estrangulamento que sinto em meu peito, uma certa falta de ar por perceber-me órfã. em estado de amor também ficamos orfãos de nós mesmos, nos abandonamos pelo outro. na morte, somos abandonados por quem amamos. e choramos por nós mesmo, enquanto no amor, choramos pelo outro!
recebi uma crítica de um garoto que teima em infernizar meus dias. indireta, mas crítica! disse-me que cães não tem alma. eu teimei com ele, dizendo que todos os seres vivos têm uma alma. perguntou-me se eu comia carne! eu balancei a cabeça indecisa. "vc monta em cavalos, não? - continuou irônico - pois não deveria, já que defende tão emocionada a sua causa!"

daniel é um garoto lindo, cabelos negros, bem aparados, rosto perfeito, pele branquinha, feito um veludo, de tom angelical. tocar seu rosto deve ser alcançar, tocar plenamente o paraíso. eu disse a ele: Vc não gosta de mim! eu sei! ele me seguiu assim que os dispensei da aula de teoria poética. intempestiva, sai pelo corredor, mergulhei na noite e nas minhas aflições. mais uma vez eu olhei seus olhos, e ele aflito roía os cantos dos dedos, enquanto eu carregava dentro de mim a morte e todas as minhas outras impossiblidades

domingo, 5 de agosto de 2007

...o bêbado!

Ele anda dizendo palavras na minha cabeça...
Fazendo voltas pelo meu corpo, gritando segredos pro meu coração...

sábado, 4 de agosto de 2007

Olha o que li por aí...

"Tu queres tornar-te um político, governar a cidade, olhar pelos outros, e ainda não te olhaste. Se não cuidares de ti mesmo vais ser um péssimo governante."

Sócrates

Voltando ao bêbado...

"Perdi-me dentro de mim porque eu era labirinto...e hoje quando me lembro é com saudade de mim!" diz Mário de Sá Carneiro. O bêbado não estava com saudade de ninguém. Desfiou o seu rosário de pérolas pela cidade e incontidamente realizou muitos que sufocavam sua náusea no travesseiro. Acordou galos, fez a cortina do vizinho deslizar pela janela e olhos sorrateiros roubarem um pouco de sua coragem. Dormimos realizados.
Eu invejei o bêbado. Quantas vezes não tive o desejo de fazer o que ele fez. Por ironia, desistimos e em nome de nossa falta de coragem e do medo, engolimos pessoas, empregos, pretensões. Deixamos de ir viver a vida e criamos personagens atrás da tela do computador. Desistimos da vida.
E o bêbado vai indo, equilibrando-se, ousando e destituindo a mente dos conservadores. Desconstruindo fio a fio tudo aquilo tecemos e esculpimos sobre nosso rosto.
Nunca, em todo tempo da humanidade, bebeu-se tanto. É um escapismo para lembramos que somos crianças e podemos brincar? Esquecemos que brincávamos e sonhávamos enquanto criávamos. Substituímos o sonho pelo concreto.




Abra este link: http://www.mdig.com.br/index.php?itemid=697

Bêbado que nem um porco no mundo da lua...

Ouça a música Lilac Wine, de Nina Simone que Jeff B. canta soberbamente...

"Lilac Wine"

I lost myself on a cool damp night
I gave myself in that misty light
Was hypnotized by a strange delight
Under a lilac tree
I made wine from the lilac tree
Put my heart in its recipe
It makes me see what I want to see
and be what I want to be
When I think more than I want to think
Do things I never should do
I drink much more than I ought to drink
Because I brings me back you...
Lilac wine is sweet and heady,
like my love
Lilac wine, I feel unsteady,
like my love
Listen to me...
I cannot see clearly
Isn't that he coming to me nearly here?
Lilac wine is sweet and heady
where's my love?
Lilac wine, I feel unsteady,
where's my love?
Listen to me, why is everything so hazy?
Isn't that he, or am I just going crazy, dear?
Lilac Wine, I feel unready
for my love...