quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Estrada do Sertão... música linda!!!

João Pernambuco e Hermínio Bello de Carvalho

Coisa que não arrenego
Nem tão pouco desapega
Ter gostado de você
Foi gostar desenchavido
Encruado e recolhido
De ninguém se aperceber


Matutando vou na estrada
Nos meus óios a passarada
Faz um ninho pra você
Juriti espreita triste
A jandaia não resiste
Chora junto por você


Nos teus óios faz clarão
É um verde, um azulão
Tiê sangue furta cor
Que me dá desassossego
Que me suga que nem morcego,
Mangando que é beija-flor


Não me encrespe a vida assim
Já me basta o que de mim essa vida caçoou
Não me faz essa graçola
De me abrir essa gaiola
Pra depois não me prender.


Canta firme juriti
Vê se entoa uma canção
Sabiá me roça aqui
Bem junto do meu coração
Pousa aqui meu colibri
Vê se tu tem pena d´eu
Quero ser teu bacuri
Quero ser de vóis meçê


Quanto mais me desfeiteia,
Me despreza, mais me arrasto pra você.

Eu amo este homem 2...

"... canta firme juriti
e me entoa uma canção
sabiá me roça aqui...
vem de junto ao coração
pousa aqui meu colibri
vê se tu tem pena deu
quero ser teu bacuri
quero ser de vosmecê..."

Estrada do Sertão...

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Mais poemas...

As Mangas

Por muitos anos,
Nas férias de dezembro,
Quando as nuvens pesadas encobriam as cidades e todos nossos sonhos
De sair pelas estradas e pelos campos,
Tu vinhas como um cavaleiro errante
Sentavas diante da janela antiga da casa da minha avó.

Eu era Rapunzel.
Ficava na janela e com um muxoxo
Dizia: - Menino bobo!

Fechava uma das folhas da janela e escondia meus olhares atrás da outra.
Pela janela eu via a mangueira da casa do vizinho.
Eram rosadas entre os amarelados do quase doce.
Depois olhava seus olhos negros brilhando na esperança de me ver.

Minha tia disse-me que meu Marco Aurélio apaixonara-se por mim vendo uma fotografia em branco e preto.
Tinha meu olhar meio vesgo olhando os de minha irmã.
Hilário.
Na outra eu estava melhor.
Meus cabelos lisos, a pele muito morena do olhar sorridente de sempre.

Às vezes nos ousávamos.
Eu descia a escada rústica, abria o portão antigo de ferro.
Sentava no degrau e ele se aproximava desinibido.
Os seus olhos, o sorriso muito branco na pele morena azeitonada de outras terras.
Seus gestos despachados contavam as travessuras de roubar manga, goiabas, caçar rolinha, pomba do ar pra comer.

Em encontros ainda mais ousados,
Viajávamos pelas colônias da cidade na companhia do padre,
Que um dia virou meu tio.
Muitas vezes rompemos a poeira das estradas de terra na rural vermelha e branca do Dr. José.
Outros meninos nos acompanhavam,
Os irmãos, os colegas.
Nos cercavam,
Eu e minhas irmãs.
Diziam que éramos sulistas,
De sotaque arrastado...

Por várias férias
O namoro assediava.
Eu me recordo das mangas verdes roubadas,
Daquelas outras que eu namorava da janela no quintal do vizinho.
E ele abaixo sentado com os irmãos e os amigos.
As mangas verdes que apertavam a boca de leve
Suavemente surtiam na saliva sabores inexplicáveis.
Sabores que escondiam o desejo de uma quase adolescente
Que descobria o amor e o desejo
Que muitos outros tocaram.
Não meu cavaleiro errante,
Meu Marco Aurélio.

As histórias memoráveis dos amores impossíveis
Recordam-se na proibição dos anos que se foram.
A Cleópatra, as jóias falsas do porta-jóias com tampa de tamareira e o viajante no camelo,
O rímel que minha tia delineava meus olhares,
E o espelho torneado da penteadeira.
E você sempre lá,
Sentado, os irmãos, os amigos
E o sabor proibido das mangas verdes roubadas.

12/12/2007

domingo, 9 de dezembro de 2007

Mais um Sagitariano ilustre!

Este poema fez parte dos meus primeiros anos de Escola...


Meio-Dia
Meio-dia. Sol a pino.
Morre de manso o regato.
Na igreja repica o sino;
Cheiram as ervas do mato.

Na árvore canta a cigarra;
Há recreio nas escolas:
Tira-se numa algazarra,
A merenda das sacolas.

O lavrador pousa a enxada
No chão, descansa um momento,
E enxuga a fronte suada,
Contemplando o firmamento.

Nas casas ferve a panela
Sobre o fogão, nas cozinhas;
A mulher chega à janela,
Atira milho às galinhas.

Meio-dia! O sol escalda,
E brilha, em toda a pureza,
Nos campos cor de esmeralda,
E no céu cor de turquesa...

E a voz do sino, ecoando
Longe, de atalho em atalho,
Vai pelos campos, cantando
A Vida, a Luz, o Trabalho!

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (Rio de Janeiro, 16 de Dezembro de 1865 — Rio de Janeiro, 28 de Dezembro de 1918) foi um jornalista e poeta brasileiro, foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras.

sábado, 8 de dezembro de 2007

É! chegou... 1964... Anos incríveis e quando tudo começava...

Tia Maria Sílvia, minha irmã Lúcia Amélia, Tia Tereza and *Me!!!
Hoje é 9 de Dezembro, meu aniversário! Nessa fotografia eu tinha 4 anos. Acho que continuo com a mesma alegria de antes, com os olhos vivos e o sorriso no rosto.
Para mim a vida, apesar dos 47 anos, continua colorida e a mesma de 43 anos atrás porque acredito nela e em toda a sua luminosidade. Ainda sinto os mesmos ares de quando morava na casa onde tirei essa foto. Lembro-me do cheiro da grama, da casa nova, do azul do céu, do friozinho de Abril quando já anunciava o inverno.
Hoje os tempos são outros! Quisera eu poder fazer voltar esses ares e tudo de bom que havia nessa época para colorir a cabecinha das crianças de hoje... Bons tempos, anos icríveis!
Feliz Aniversário, Lorene... Rs!